Recordo-a especialmente por falar do seu Benfica sempre em tom provocatório, pois só me cruzava com ela na cave(rna) de um adepto Leonino dos que até rugem quando as coisas correm mal ao Sporting.
Uma amiga que nunca o foi, precisamente porque era raro estarmos juntos, mas de quem eu tinha uma pontinha de orgulho por poder dizer "sim, eu até conheço a enfermeira Guida". Uma amiga que sempre o foi, porque pertencia ao tipo de pessoas que sempre, mas sempre, encontrava uma palavra de conforto a quem dela precisava, uma ideia engraçada para animar quem dela precisava, uma força de vontade própria de um profissionalismo raro a quem dela precisava.
Deixa um marido e dois filhos. Deixa mais alguns familiares. Deixa centenas de amigos. Deixa todos, próximos e distantes, e a todos faz sentir tristeza por partir e não nos deixar mais alguns sorrisos, a todos faz sentir tristeza por partir e não nos ajudar a contribuir para construir um mundo todos os dias melhor.
Entre amigas e amigos dela que encontrei ontem e hoje, havia apenas duas coisas presentes: tristeza, e choque. Apesar de já estar nos quarentas, aquele sorriso e aquela postura alegre e optimista perante a vida conseguiam fazê-la parecer estar algures no final da nova juventude que termina aos 35.
O ano de 2010, caso ainda existissem dúvidas, não começa bem. Felizmente, o desânimo de saber que só poderá tornar-se ainda pior, apesar de todas as coisas que já aconteceram até agora, deu lugar a um sentimento libertador.
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